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Sorte, preparo ou os dois: Você conhece a história da minha foto de maior sucesso?

Sorte, preparo ou os dois: Você conhece a história da minha foto de maior sucesso?

Antes de contar a história da minha foto de maior sucesso, preciso contar algo que aconteceu uma semana antes dela ser feita. Era maio de 2011 (não me lembro exatamente o dia) e eu esta fazendo um curso de especialização em fotografia. O tema da aula era fotografia de objetos em movimento e o tempo exato da foto. O professor não permitia nenhum ajuste da imagem após a captura e os cartões eram descarregados na hora, havendo uma avaliação em seguida. Eu tinha feito a imagem de um ciclista de velocidade treinando, usei uma configuração na câmera para gerar um panning, mas o enquadramento não ficou 100% perfeito. Como nem o corte era permitido, resolvi submeter a imagem para avaliação assim mesmo. Ouvi então a frase que nunca mais me esqueceria: “um fotógrafo da sua categoria não pode perder o timing da foto”. Essas palavras me marcaram profundamente. Todo o trabalho que tive para fazê-la foi por água abaixo, eu não havia respeitado o tempo da foto.

No final da mesma aula, conversamos sobre qual seria a melhor configuração da câmera para o caso da necessidade de uma foto rápida, como um flagrante, por exemplo. E passei a andar com esses parâmetros pré-configurados. Em um dia qualquer da semana seguinte, saí para mais um trabalho. Não imaginava o que me esperaria pelo caminho. O trabalho em questão era a realização de um ensaio fotográfico de uma motocicleta para uma reportagem de avaliação da mesma. Algo corriqueiro, pois fazia no mínimo um ensaio desses por semana. A primeira parte era com a moto em movimento. Escolhemos uma estradinha bem pouco movimentada da região. Tudo ocorreu normalmente e, finalizada essa etapa, pegamos o caminho para a segunda parte, o ensaio dela parada.

Foi ai que algo estranho aconteceu. Eu e o jornalista responsável pelos testes estávamos acostumados com essa estrada. Já tínhamos realizado algumas dezenas de ensaios lá. Mas em um determinado momento nos deparamos com uma enorme equipe de produção, com câmeras de vídeo, gruas, iluminação, etc. Saquei logo minha câmera achando que estavam gravando uma novela, série, filme ou algo parecido. O motorista diminuiu a velocidade para tentarmos ver o que era. Repentinamente, de uma curva bem próxima à nossa posição, surge um veículo. Percebi que as câmeras apontavam para ele e mais do que rapidamente fiz uma foto. Só deu tempo de fazer uma única foto e passamos por ele.

Quando olhei para trás vi que a equipe de produção ficou meio desesperada e retirou o carro da estrada. Mas até aí não tinha a menor ideia do que seria. Fomos então para o local da segunda parte do ensaio e terminei o meu serviço. No mesmo dia, conversei com alguns amigos da imprensa tentando descobrir se sabiam da gravação de alguma novela ou filme na região. Todos foram categóricos em dizer que não tinham nenhuma informação que confirmasse isso. Foi então que pensei: será que tudo aquilo tinha haver com o carro?

Consultei então outro amigo que escreve sobre veículos. A primeira resposta dele foi: qual carro era? Na correria que tinha sido o dia do ensaio não me atentei a este fato. Pedi alguns minutos e fui olhar a marca e modelo. Retornei com a imagem e respondi seu questionamento: é um Renalt Duster. Eu nem sabia que carro é esse, meu foco até o momento eram as motocicletas. Atônito ele me perguntou: você fotografou um Renault Duster? Mostro a foto e antes mesmo dele olhar para a imagem, me pergunta novamente: você tem certeza fotografou um Renault Duster?

Pedi para ele olhar a imagem, e questionei qual o motivo do espanto dele. A reposta foi simples: ninguém nunca fotografou um Duster sem disfarce até agora, é o maior segredo da indústria automotiva na atualidade. Foi minha vez então de ficar atônito. Após um breve papo, permiti que ele publicasse a imagem em seu blog de veículos. O acordo incluía que parte da história de como a foto foi captura teria que constar no texto, incluindo meu nome e o nome da minha agência (Mira e Clica). Menos de uma hora depois, dois grandes portais do Brasil entraram em contato comigo querendo a imagem. Os acordos com eles também mantiveram os mesmos requisitos. Em menos de 24 horas a imagem e a notícia haviam se espalhado por todo o Brasil. Em menos de 36 horas toda a América Latina estava noticiando. Em 48 horas chegou à Europa, e lá teve um efeito viral sem precedentes. Descobri aí que o design do carro havia sido feito pela subsidiária romena da Renault.

Em uma semana, quando parei o monitoramento, o Google possuía mais de um milhão de referências diferentes contendo meu nome e a imagem. Apesar de ter outras imagens e textos que poderiam ser considerados de sucesso, nenhuma atingiu um nível desses, e principalmente, em tão pouco tempo. Nem de longe esta é minha foto mais bonita esteticamente, mas o poder de comunicação que ela teve naquele momento e o grau de dificuldade para consegui-la foram tamanhos que superou todo o resto. Mas o mais interessante é que desta vez eu não havia perdido o timing da foto. A bronca no curso valeu e muito. Na aula seguinte coloquei esse caso para avaliação e meu professor simplesmente não acreditava no que tinha acontecido. Até hoje praticamente não perco mais o tempo das fotos que faço, principalmente as que envolvem velocidade.

Apresento então a vocês minha foto de maior sucesso até hoje:

Primeira imagem mundial do Renault Duster sem disfarces antes do lançamento

Você se preocupa com a foto do seu perfil em redes sociais profissionais?

Você se preocupa com a foto do seu perfil em redes sociais profissionais?

Navegando recentemente pela rede social de contatos profissionais LinkedIn comecei a analisar as fotos que as pessoas usam como imagem do perfil. Logo percebi que a preocupação com a imagem e o que ela pode passar não parece ser um motivo de atenção para os usuários. A quantidade de fotos que pareciam inadequadas para alguém que está procurando uma vaga de trabalho ou simplesmente mostrando seu currículo a empresas interessadas espantou-me. Uma pergunta me veio na mente: Você já parou por algum momento sequer para analisar se sua foto do perfil reflete o profissional que você é?

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O exercício é simples: tente por alguns instantes esquecer quem você é e se imagine como recrutador ou executivo de uma empresa que está olhando para o seu perfil (e para sua foto consequentemente). Você acha que essa pessoa está vendo ali naquela imagem tudo que seu currículo profissional descreve?

Expressões populares como “a primeira impressão é a que fica” ou “uma imagem vale mais que mil palavras” mostram como a escolha errada de uma foto pode prejudicar sua carreira na hora de almejar uma vaga. Para ilustrar algumas situações que me deparei (algumas delas vistas muitas vezes inclusive) vou descrever abaixo o que considero um uso equivocado de imagem para perfil profissional. Para preservar o direito de imagem de cada indivíduo, vou apenas descrever a foto, mas será compreensível.

Fotos equivocadas para perfil profissional:

1 – Foto com uniforme de time de futebol, agremiações, clubes etc
A menos que você faça parte do quadro de funcionários do clube ou associação (jogador, técnico, comissão ou funcionários em geral), não use uma foto com camisa de um time, independente se for do País ou de fora. Esse tipo de foto passa a imagem de fanatismo e isso fará o recrutador pensar se essa característica não vai atrapalhar nas relações profissionais.

2 – Foto em festas, baladas, fantasiado(a) etc
A regra é bem parecida, se não for um animador de festa, dono de casa de shows ou algo parecido, não use esse tipo de foto. Elas transmitem a sensação de uma pessoa “festeira” que não se preocupa muito com obrigações.

3 – Fotos com roupas muito sexys ou ousadas
Se não for um(a) profissional do amor, esqueça de usar esse tipo de foto. Ela com certeza vai passar a imagem errada sobre você. Os recrutadores só pensarão duas coisas: ou essa pessoa vai gerar problema na empresa ou essa pessoa vai querer usar a sexualidade para conseguir algo na empresa.

4 – Fotos em pescarias, piscina, praia, férias etc
Há de se pensar o que é profissional e o que é lazer ou pessoal. Se o que você está fazendo no momento da foto não tem haver com o que você faz profissionalmente evite usá-la no perfil profissional.

5 – Imagens de desenhos animados ou personagens famosos
Acho que esse talvez seja um dos erros mais graves na minha opinião. Já de cara mostra que você tem um ar infantilizado, e isso pode prejudicar a sua carreira. A exceção é se você desenhou ou criou esse personagem ou se está ou esteve ligado diretamente na produção de tal. Ainda assim tem que ser algo que valha a pena.

6 – Fotos em dupla, trio, grupo etc
Acho que essa é a mais fácil de identificar o erro. Se tem mais de uma pessoa na foto como o recrutador vai saber que é o(a) dono(a) do perfil? Aqui também cabem como erradas as fotos com famosos e pessoas públicas.

7 – Fotos fumando, bebendo etc
Fotos em situações que são consideradas como algum tipo de vício também podem te atrapalhar no processo seletivo. Fumando, bebendo, jogando e coisas parecidas são alguns exemplos. Essas situações devem fazer parte da sua vida particular e social pessoal, não precisam estar expostas em um perfil profissional.

8 – Fotos escondendo o rosto
Nesse caso a primeira pergunta que vem na mente de um recrutador é: por que esse(a) candidato(a) está escondendo o rosto, o que ele(a) tem a esconder? Nesse caso específico não tem exceção, se não está mostrando o rosto é porque teme algo. Provavelmente o recrutador não vai te chamar para uma entrevista só para saber por que você está escondendo o rosto. Você vai ter que possuir um currículo mega ultra maxi excepcional para ser chamado em uma entrevista. Agora se você tem um currículo desses, não custa nada fazer uma foto legal para o perfil, não é mesmo?

9 – Perfil sem foto
O perfil sem foto também é uma representação de desleixo e isso pode influenciar na escolha. A única situação aceitável nesse momento é se você criou o perfil e ainda não tem uma foto boa para incluir. Nesse caso é melhor deixar sem nenhuma por um tempo do que usar uma foto ruim. Embora isso deva ser pensado antes, é uma situação comum de acontecer e deve ser resolvida o mais rápido possível.

Esses são alguns exemplos dentre tantos que vi, mas como regra geral use sempre o bom senso. Apesar de parecer em alguns momentos que há um julgamento prévio do(a) candidato(a) há de se lembrar que dezenas, centenas ou milhares de pessoas estão disputando uma vaga, e sairão na frente os que melhor se encaixarem nos pré requisitos da empresa. Se o que aparecer na imagem além de você não tiver ligação direta com o que você faz profissionalmente não use. O melhor é sempre usar uma foto que apareça somente você e que não esteja em uma das situações descritas acima. Caso tenha dificuldades, peça ajuda a um profissional ou a um amigo que entenda um pouco mais de fotografia.

Um abraço e obrigado pala leitura.

15 curiosidades que talvez você não saiba sobre o projeto “As 100 Sacras”

15 curiosidades que talvez você não saiba sobre o projeto “As 100 Sacras”

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1 – A data de início das publicações (17 de setembro) foi definida com base na data que seria publicada a última foto. A última das cem imagens teria que ser publicada no dia de Natal (25 de dezembro), contados 99 dias anteriores chegou-se a data de início.

As 100 Sacras: Dia 99 - Profeta Abdias de Aleijadinho em Congonhas, Minas Gerais

2 – A primeira das cem imagens escolhida foi a fotografia do dia 99 (24 de dezembro). Nela, a escultura do profeta Abdias, esculpida por Aleijadinho, aponta para a luz do sol, em uma referência à estrela cadente que anunciou o nascimento do menino Jesus. Esta foto foi batizada pelo autor como “A Anunciação”.

3 – Na concepção inicial todas as fotos seriam capturadas no Brasil. Com o desenrolar do projeto, mais três países foram incluídos: Argentina, Portugal e Espanha. O total então passou a quatro.

4 – Com o aumento do número de países, e consequentemente de cidades e locais, as fotografias do projeto foram capturadas por 7 anos, de 2009 a 2016.

As 100 Sacras: Dia 59 - A fé presente nos oratórios

5 – A foto do dia 59 traz um oratório que pertenceu à avó do autor. Em primeiro plano aparece um crucifixo que pertenceu a bisavó do autor e está na família a quatro gerações. A data de publicação dessa imagem (14 de novembro) também foi uma homenagem a avó do autor, que faria aniversário nessa data.

6 – Durante as sessões fotográficas uma tornou-se inusitada. O autor tentou por duas vezes fotografar o interior da Capela dos Aflitos, no bairro da Liberdade em São Paulo e, em ambas as vezes, ele teve uma sensação que “pedia” para não fotografar no local naqueles momentos. Esse foi o único local onde teve essa sensação e, por respeito, não capturou as imagens.

As 100 Sacras: Dia 26 - Altar de Nossa Senhora Aparecida na Catedral Metropolitana de Campinas, São Paulo

7 – A fotografia publicada no dia 12 de outubro traz um altar de Nossa Senhora Aparecida, foi escolhida para esse dia justamente para comemorar o dia da padroeira do Brasil.

8 – O maior número de imagens capturadas pelo autor durante o projeto ocorreu nas cidades que faziam parte da Estrada Real da época do Império. Para isso, foram realizadas duas viagens pelo trecho mineiro e mais duas para Paraty (RJ), início do percurso. A primeira viagem pelo trecho mineiro aconteceu em 2009, mas por problemas de tempo o autor não pode chegar até Diamantina (final da Estrada Real). Em 2016 a viagem foi realizada novamente e desta vez o trecho foi completado.

Triumph Tiger Explorer XC ABS #umamotopordia #osvaldofuriatto9 – O projeto anterior do autor intitulado “Uma moto por dia” trazia escondido em uma das fotos o tema do projeto “As 100 Sacras”. Na imagem uma motocicleta estava parada em frente de uma igreja. A inclusão dessa foto foi proposital.

10 – “As 100 Sacras” é o segundo projeto com maior tempo de publicações do autor (cem dias), ficando atrás somente do projeto “Uma moto por dia”, que teve duração de 365 dias.

Imagem do Senhor Jesus na Catedral de Buenos Aires

11 – A primeira imagem do projeto apareceu antes do lançamento no teaser de divulgação. Nela estava uma escultura de Jesus Cristo, essa imagem foi escolhida para ser a primeira porque a ideia era iniciar e terminar as publicações com uma imagem de Jesus. A última é um presépio que retrata o nascimento do filho de Deus.

12 – “As 100 Sacras” faz parte de um grande projeto chamado “A União das Artes”. Outras fases já estão sendo produzidas e ocorrerão nos próximos anos.

13 – Durante um dos dias de captura o autor ficou tão encantado com as belezas do local que estava fotografando que decidiu fazer no futuro um projeto só do lugar. Provavelmente será um spin of do projeto “As 100 Sacras”, ainda mantido em sigilo e sem data de lançamento.

As 100 Sacras: Dia 19 - Capela dos Ossos em Évora, Portugal

14 – O local mais inusitado que fez parte do projeto com certeza é a Capela dos Ossos em Évora, Portugal. A capela leva esse nome porque todas as paredes e pilares são feitos de ossos e crânios humanos.

15 – Duas das cidades fotografadas são centros de peregrinação de devotos e possuem grandes santuários destinados a aparições de Nossa Senhora: Aparecida, no Brasil, e Fátima, em Portugal.

Clique aqui e vejas todas as fotos do projeto “As 100 Sacras”

Muito mais do que fotografar bonequinhos fofinhos

Muito mais do que fotografar bonequinhos fofinhos

Durante trinta dias eu fotografei e publiquei a série chamada “Minions em uma moto por dia”. Basicamente as fotos eram compostas por situações corriqueiras, onde sempre aparecia pelo menos um dos personagens do filme “Meu malvado favorito” acompanhado por pelo menos uma moto de brinquedo. Foi um sucesso entre os fãs dos baixinhos amarelinhos.

Mas o projeto foi muito além disso. Ali, em cada uma das produções, estava aplicado todo o meu conhecimento fotográfico, mostrando que é possível dar vida a alguns brinquedos, simplesmente usando as técnicas aplicadas. Luz, profundidade de campo, perspectiva, ângulo, cenário, composição, direção de cena e, até mesmo, direção de modelo.Sim, você leu certo, direção de modelo. Já que os bonequinhos não eram articulados e tinham expressões fixas, era necessário escolher um que combinasse com a cena, ou então encaixar a cena no personagem. As respostas disso vieram em comentários como “olha a alegria dele em rever o amigo”, “de braços cruzados esperando o serviço terminar” ou “mão pras kbeça doido”. Ali, o que era inanimado ganhava a vida.

Os cenários, iluminação ambiente, objetos em cena, ângulo de visão, entre outras coisas, também foram pensados para criar essa sensação de realidade. Luzes naturais e artificiais foram usadas nas produções. Já os cenários contaram com várias soluções, desde um pedaço de papelão simulando uma parede até um cenário complexo impresso.Havia ainda, uma meta complicada de ser cumprida, onde cada set (ou seja, cenário, objetos, iluminação, personagens etc) deveriam ser montados em no máximo 30 minutos. Apenas uma das produções não atingiu esse objetivo, a última, devido à complexidade da cena.

Então finalizando, quando há uma união de conhecimento das técnicas fotográficas, criatividade e dedicação, não importa o que se está sendo fotografado, a magia acontece da mesma forma.Como muita gente me perguntou como eram as produções, abaixo coloco alguns dos making ofs. Se você não viu as trinta fotos que fizeram parte do projeto, clique aqui.

Making of do projeto Minions em uma moto por diahttp://www.osvaldofuriatto.com.br/category/projetos/minions-em-uma-moto-por-dia/http://www.osvaldofuriatto.com.br/category/projetos/minions-em-uma-moto-por-dia/http://www.osvaldofuriatto.com.br/category/projetos/minions-em-uma-moto-por-dia/http://www.osvaldofuriatto.com.br/category/projetos/minions-em-uma-moto-por-dia/http://www.osvaldofuriatto.com.br/category/projetos/minions-em-uma-moto-por-dia/http://www.osvaldofuriatto.com.br/category/projetos/minions-em-uma-moto-por-dia/http://www.osvaldofuriatto.com.br/category/projetos/minions-em-uma-moto-por-dia/

Dez coisas que você precisa saber sobre fotógrafos profissionais e suas fotografias

Dez coisas que você precisa saber sobre fotógrafos profissionais e suas fotografias

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Com a chegada da era digital a banalização da fotografia está cada vez mais frequente. Hoje, todos se denominam fotógrafos simplesmente porque compraram um celular que tira foto. Há, no entanto, uma diferença entre esses fotógrafos de celular e fotógrafos profissionais. Para facilitar a vida de todos, aqui vai uma lista de dicas sobre fotógrafos profissionais:

1- Toda fotografia tem um autor. Como diz o texto da lei de direitos autorais, uma obra intelectual é de autoria de um espírito, portanto, AQUIVO, CEDOC, GOOGLE, INTERNET, REPRODUÇÃO, DIVULGAÇÃO ou qualquer outra coisa parecida não podem ser autores de nada.

2- É obrigatório que cada fotografia seja acompanhada do crédito do autor, a menos que o mesmo autorize expressamente e claramente que o mesmo possa ser dispensado.

3- Você não pode usar uma fotografia para absolutamente nada a menos que o autor da mesma licencie, venda ou autorize expressamente o seu direito de uso. O fato de um fotógrafo ter colocado essa fotografia na internet, ter enviado por email, ter disponibilizado para visualização ou algo parecido não dá automaticamente o direito de uso da mesma.

4- Um fotógrafo profissional não entrega todas as fotografias feitas. Durante a sessão fotográfica há fotos que se apresentam com erros ou imperfeições como as de teste de luz, as que o equipamento falhou por algum motivo, as que possuem algo que desagrade na imagem, as que apresentam erros de modelos ou cenários etc., essas fotos são eliminadas e nunca serão entregues.

5- Um fotógrafo profissional é aquele que, além de saber fotografar, sabe editar seu material. Portanto, as imagens que um fotógrafo profissional entregar estão dentro dos padrões de qualidade do mesmo. Este é um item que necessariamente separa fotógrafos bons de fotógrafos ruins.

6- Em fotografia profissional a palavra EDITAR significa ESCOLHER. Ao editar seu material, um fotógrafo profissional está escolhendo as melhores imagens. O ato de melhorar uma imagem através de software chama-se TRATAMENTO.

7- O fotógrafo que entrega quantidades exageradas de imagens geralmente tem problemas no ato de fotografar ou na edição do material. Grandes quantidades de imagens são somente para grandes eventos. Esse é outro item que diferencia fotógrafos bons de fotógrafos ruins.

8- Antes de achar que um fotógrafo é caro ou barato procure saber quem você está contratando. Fotógrafos profissionais são diferentes de fotógrafos que compraram uma câmera semi-profissional e saíram vendendo serviço. Fotógrafos profissionais estudam muito, investem em equipamentos caros, fazem cursos de reciclagem, participam de seminários, adquirem boa cultura, por isso são de maior valor. Portanto, antes de compará-los veja se estão no mesmo nível.

9- A fotografia comercial feita por um fotógrafo profissional não é igual à fotografia feita por um fotógrafo amador ou por um iniciante.

10- Ao usar uma fotografia de forma irregular você pode estar infringindo até cinco leis, que podem resultar em processos e indenizações. As leis são:
• a Convenção Internacional de Berna
• a Constituição Brasileira
• a Lei do Direito Autoral
• a Lei da Propriedade Industrial
• o Código Penal Brasileiro

As 100 Sacras: Dia 62 - Capela dos Aflitos na Liberdade, São Paulo

O dia em que não fotografei uma igreja

O dia em que não fotografei uma igreja

As 100 Sacras: Dia 62 - Capela dos Aflitos na Liberdade, São Paulo
As 100 Sacras: Dia 62 – Capela dos Aflitos na Liberdade, São Paulo

Antes de começar a contar essa história, preciso descrever o que aconteceu um dia antes dos fatos. Tudo começa a tomar forma numa sexta-feira, véspera do dia que completaria 40 anos da tragédia do edifício Joelma, em São Paulo. Comecei a ler alguns textos nos portais de notícias que contam o drama. Realmente, uma das grandes tragédias deste País e que marcou para sempre um edifício na capital paulista.

Uma das reportagens conta o lado assombrado daquele local, uma série de acontecimentos envoltos em mistérios. No meio deste texto, havia um link para outra  matéria cujo tema era os lugares conhecidos como mal-assombrados na capital paulista. Como gosto muito do assunto, fui ler esse também. Ele descrevia lugares onde pessoas diziam ver fantasmas, ouvir gritos, ter sentimentos estranhos entre outras coisas espirituais.

Um dos locais descritos era a Capela da Santa Cruz dos Enforcados e, acho que aqui, começou realmente o fato que se sucederia no dia seguinte. Como algumas pessoas já sabem, eu fotografo igrejas, templos, cemitérios e locais ligados à vida, à crença e à morte. O tema me fascina e sempre rendem fotos espetaculares. Esta capela fica na Praça da Liberdade, local que eu iria conhecer no dia seguinte, sábado. Eu nunca havia visitado essa região da cidade antes. Por um descuido meu não gravei a informação do nome da capela na memória.

Esse descuido gerou o primeiro ponto que costumo chamar de sorte na fotografia. Chegando ao bairro da Liberdade, logo de cara vi a capela, fica bem na praça e de longe pode ser vista. No entanto, ela não me chamou muito a atenção. Não me parecia assombrada e muito menos associei que era sobre ela que tinha lido no dia anterior. Para mim parecia apenas uma igrejinha bonitinha. A sorte começou a mudar quando em certo momento, andando pelas ruas do bairro, me deparo com outra capela, menor, escondida no final de um beco e, um tanto quanto assustadora. E é nessa capela que algo aconteceu que me arrepio cada vez que falo sobre ela, esses arrepios acontecem inclusive enquanto escrevo esse texto.

Mas antes de entrar nela, fomos almoçar. Fiquei pensando se essa seria a capela ao qual li na matéria do dia anterior. Terminado o almoço, resolvi ir até lá. Fiz de imediato algumas fotos do exterior, do beco, do sino, da cruz, do portão entre outras. Parti então para conhecer (e fotografar) seu interior. A capela é simples, mas um tanto quanto sombria. Ao adentrar, vi altares básicos com várias imagens de santos e  três pessoas rezando. Sempre que vou fotografar um solo sagrado eu encho meu coração de humildade e respeito, mostrando que estou ali apenas para emprestar o meu olhar sobre aquele lugar. Procuro não atrapalhar nem interromper nada.

Preparei-me então para fotografar. Foi aí que tive a primeira sensação me dizia “não, agora não”. Não foi uma voz ouvida, nem de alguém que estava por ali e nem do além, e sim uma sensação muito forte de aquele não era um momento para fazer a fotografia. Fiquei encanado com aquilo, já que estou acostumado com igrejas, cemitérios, templos e tudo mais.

Parei, baixei a câmera, observei bem em volta, nada parecia estranho. Observei então se não estava atrapalhando a oração de alguma das pessoas que ali estavam. Poderia ser essa a origem da sensação. Nada, elas nem me viam. Parti então para uma segunda tentativa. Foi só preparar a câmera e novamente me veio a mesma coisa, esse não é o momento. Saí.

Ainda sem entender direito o que estava acontecendo, resolvi fazer uma foto da sala das velas, que fica do lado de fora. Ali fiquei alguns minutos e fiz algumas fotos. Isso me fez crer que aquela primeira sensação era passageira, pois o velário faz parte da capela e ali eu consegui fotografar naturalmente. Voltei então para o lado de fora e contei o ocorrido para as pessoas que me acompanhavam. Depois de alguns minutos de conversa decidi entrar mais uma vez e tentar novamente fotografar o interior da capela. Já não tinha mais nenhuma pessoa lá rezando. Pensei então que agora a sensação não voltaria, já que não havia mais ninguém para eu atrapalhar. Quando encostei a câmera no rosto, e para meu espanto, mais uma vez tive a sensação de “de não faça essa foto hoje”.

Como disse anteriormente, minhas crenças me orientam a ter respeito em lugares sacros, e uma capela é um lugar sacro, decidi adiar a fotografia daquele lugar. Ainda encanado resolvi pesquisar sobre o lugar. Lá e a Capela dos Aflitos, uma capela erguida quando naquela região estava o Cemitério dos Aflitos, local onde eram enterrados indigentes, presos, pobres, não católicos e os enforcados no enforcadouro que existia onde é hoje a Praça da Liberdade.

Pesquisando mais à fundo, li sobre a história de um soldado do exército brasileiro chamado Francisco das Chagas (o Chaguinha) que foi enforcado no enforcadouro da praça. Sentenciado à morte depois de um levante contra seu comando que não pagava o soldo devido, nas duas primeiras tentativas (ou três, dependendo de quem conta), a corda arrebentou e ele não morreu. O povo que assistia, entendendo como um sinal divino, gritava por sua liberdade. Chaguinha então disse que se tivesse que morrer defendendo seus direitos que assim seria, tirou seu cinto de couro e o entregou ao carrasco dizendo que esse não arrebentaria. Aos gritos de “liberdade” emitidos pelo povo que assistia, o carrasco então pendurou o cinto e consumou o castigo mortal.

Nesse exato momento da história que estou narrando é feita a ligação entre as duas capelas. A Capela da Santa Cruz dos Enforcados foi erguida em homenagem a Chaguinha e foi na Capela dos Aflitos que ele ficou preso até ser levado à forca. E sabe o que realmente impressionou? Pesquisando mais tarde, descobri que a sala das velas a qual fotografei foi a cela onde Chaguinha passou sua última noite. Por respeito a algo que eu não sei descrever, não fotografei o interior da Capela dos Aflitos dessa vez, mas eu ainda volto lá. Essa foi a única vez que eu não fotografei uma igreja.

As 100 Sacras: Dia 22 - Velário da Capela dos Aflitos na Liberdade, São Paulo

As 100 Sacras: Dia 22 – Velário da Capela dos Aflitos na Liberdade, São Paulo

Você se considera um fotógrafo?

Você é fotógrafo?

Comprar uma câmera digital com muitos recursos automáticos e apertar um botão é super fácil. O qu emuita gent enão sabe é que para ser um fotógrafo completo precisa-se de muito estudo, mesmo que esse estudo seja nada mais nada menos que o aprendizado da vida. Considero esse vídeo uma lição de fotografia e de vida.

 

 

O direito constitucional de fotografar

O direito de fotografar

Você acha realmente que o Brasil é um Estado democrático de direito? Pois é, eu me faço essa pergunta toda vez que vejo um fotógrafo ter cerceado o seu direito à fotografia. Acho que os fatos que descreverei a seguir já aconteceram com todos os fotógrafos que estão lendo este artigo, se não idênticos em teor, muito parecidos.

Hoje, estávamos realizando uma produção em uma praça pública (e volto a repetir, pública) em uma cidade aqui da região. A produção envolvia duas pessoas (contando eu) e uma motocicleta. Não mais do que cinco minutos após o início dos cliques, fomos abortados por uma dupla de policias militares solicitando nossa saída da praça.

Questionamos o por que, e imediatamente fomos informados que uma pessoa ligada à prefeitura da cidade, pessoa essa responsável por “cuidar” da praça, havia solicitado junto à PM nossa retirada do local. Dissemos então que estávamos ali realizando um trabalho e argumentamos que tal ato não gerava degradação, sujeira, incomodo aos usuários, nem nada que pudesse atrapalhar a vida cotidiana da praça. A única alteração no curso normal do dia era a curiosidade desapertada de quem passava pó lá, já que a motocicleta era espetacular.

Com todos os argumentos apresentados, fato que por si só que seria completamente dispensável, lembrando que o local era público e nossa atitude não era depreciativa com relação a ele, fomos informados pelos policiais que poderíamos ficar por ali durante 15 minutos, tempo esse suficiente para fazer o que eu queria.

No entanto, saímos de lá com o pensamento de estarmos sendo roubados. Por que roubados? Ora, o meu, o seu, o nosso dinheiro (em forma de impostos pagos) é que financia a construção e manutenção de qualquer local público. O meu, o seu, o nosso dinheiro é que paga os salários de qualquer agente público. Então de maneira direta, eu como cidadão, sou dono de um pedacinho daquele local, assim como todos os outros cidadãos de bem que pagam suas contas em dia.

Essa não foi a primeira vez que fui barrado ou abordado por seguranças e policiais os quais tentaram impedir a minha fotografia, mas posso garantir também que não será a última, a menos que realmente não vivemos em um Estado democrático de direito.